quarta-feira, 11 de março de 2015

Transparência musical

A música que parece vir do nada, ecoa pelos fones de ouvido. A única coisa que a liga com o mundo, são as imagens que atravessam os olhos. E é isso que ela faz, observa.
Com as poucas habilidades de leitura labial, ela fica sentada em um banco, imaginando cada conversa alheia. Alguns grupos que por lá passam, ela já conhece, ela já sabe que eles são muito unidos. Isso a deixa muito feliz. Fortes amizades.
Não necessariamente com ela, até porque, ela olha ao seu redor, e ninguém está do seu lado, ninguém vai a sua direção. Ela é transparente para os outros. Por um momento, duvida da própria existência física.
Mas não, ela está lá, ela existe. Já falou com outras pessoas antes. Tem certeza!
Tem mesmo?
Na dúvida, ela tira o fone e, de repente, o mundo lhe invade. Todos os ruídos se transformam em barulhos. É tudo muito alto e intenso. Ela não aguenta, respira ofegante, começa a se sentir tonta e acha que vai cair. Então, ela recoloca o fone.
A visão lentamente volta a funcionar e a respiração se ritmiza enquanto a frase "Couldn´t save my mortal soul" é pronunciada.
Já desistindo, ela se levanta e sai antes do horário. Não vê motivos para continuar.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Por quê?


"Por que a gente boceja?”
Já parou para pensar em um motivo?
Qualquer que seja.

“Por que a gente chora?”
Alguma vez você se perguntou?
Qualquer que fosse a hora.

É impressionante a quantidade de perguntas
Que nós somos forçados a esquecer
Até porque
Ficar perguntando “por quê?”
Da trabalho para quem for responder.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Mais um ano letivo

Os olhares perdidos
Entre abraços antigos
E nenhum parece perceber
Que as coisas mudaram.

Outros olhares
Apenas olham
Entendendo o movimento
Do mundo que adentram.

Antes que percebem
Os dois mundos se uniram
E assim

Começa o ano letivo.